A década de 50 é realmente mágica. Não somente pelo estilo, música e moda que acabaram por influenciar milhões de pessoas ao redor do globo, mas também pelo fato de que o american way of life atingiu o ápice e a idéia de prosperidade, paz e consumo passou a fazer parte da vida de todos.
O leitor conferiu o ensaio com este belíssimo Ford Thunderbird 1955 há alguns meses. Nessa segunda parte colocamos o teto rígido e o charme permaneceu intacto. Para conhecer sua história completa basta clicar aqui.
Quantas coisas na vida nós fazemos com paixão? Coisas do tipo que devem ser feitas com gosto, vontade e que alegram a alma? Pense bem. Um antigo folheto do De Tomaso Pantera respondia à minha pergunta do começo do parágrafo. Mas a empresa não seria a única a utilizar esse artifício que move corpos e mentes em direção a um intento comum.
O que diferencia os carros italianos de qualquer outro, aliás, é exatamente esse ingrediente subjetivo, plantado desde a infância e que cresce com o passar dos anos. Os cientistas ainda não descobriram sua origem, mas sabem que faz os dias passarem mais rápido e pode ser ou não hereditário.
Já tive a oportunidade de andar e fotografar vários modelos da Alfa Romeo. A marca do quadrifólio tem um carisma em suas linhas e paixão – de novo ela - em suas formas. O belo exemplar ano 1972 pertence ao colecionador João Ademir Pinto há dez anos e se destaca pela originalidade e conservação impecável.
A história da aquisição merece ser contada. “Isso aconteceu em 2000. O proprietário anterior, um italiano autêntico, me disse que avistou esse carro dentro de uma loja, deu ré e avisou o filho para comprá-lo. Segundo ele, um carro desses não mereceria ficar daquela forma, na vitrine”, conta. Depois disso cuidou da macchina durante doze anos.
“Era negócio pra fechar. Mas tivemos que erguê-lo em toda a mecânica e sua aparência estava muito apagada”, salienta. “Foi efetuada uma pintura externa total e em seu interior mantida a originalidade: carpete, bancos, painel, laterais de portas. Total de um ano, em que tudo foi feito”, complementa.
Ao dar a partida o ronco fantástico tomou conta do ambiente. Aliás, duas coisas que toda Alfa tem em comum: o som dos cilindros em funcionamento e o aroma do estofamento. Você realmente reconhece um deles com isso. A mecânica – com carburadores Solex – recebeu um pequeno upgrade com a instalação da bomba elétrica, relé de partida e partida eletrônica.
Cuidados especiais? “Gasolina Podium, chuva nem pensar e, além disso, é impermeabilizado com lustra móveis, inclusive no cofre do motor, e com polímeros que ainda não temos no país”, enfatiza.
Antes de ir embora, as últimas palavras ditas pelo João sintetizam tudo aquilo que escrevi no começo do texto. “A família achava que estava comprando mais uma “dor de cabeça", mas o instinto é Alfa Romeo”. Até a próxima semana!
Carisma e esportividade. Com essas características singelas o simpático modelo da BMW conquistou milhares de aficionados mundo afora. Além disso, seu estilo peculiar e dirigibilidade excepcional transformaram-no em um clássico reverenciado por puristas e amantes da arte de dirigir.
A saga do cupê começou em 1968, dois anos após a celebração dos 50 anos da empresa. Agradou o público logo de cara, além da imprensa automotiva, que não poupou elogios ao desempenho da máquina. Muitos acreditam que o 2002 colocou definitivamente a BMW no mapa.
Mas peço que o leitor preste muita atenção nas fotos. O exemplar em destaque é raríssimo no mundo todo e geralmente só é visto em grandes feiras e encontros. O targa, feito pela fábrica da Baur carrocerias, em Stuttgart, se tornou um ícone de estilo e elegância. Andar em um deles é, na verdade, um grande privilégio.
Me encontrei com o dono da relíquia em uma manhã ensolarada de sábado. Com a capota abaixada – de um modo singular – percorremos as ruas de São Paulo em direção ao local das fotos. No caminho ele me contou que o clássico chegou às suas mãos há seis anos e foi cuidadosamente restaurado ao longo de dois anos.
Um dos destaques está no painel e chama a atenção. É o rádio original Blaupunkt. “Ele foi feito especialmente para o modelo”, salienta. Fora isso, impressiona a riqueza de detalhes e a suavidade na tocada, como já foi citado no começo do texto.
Um selo no pára-brisa despertou minha curiosidade. O “I Raid ao Cone Sul” foi percorrido pelo veterano sem apresentar um único defeito. “Só troquei a bomba de gasolina no Chile”, conta. A prova consistia em atravessar Argentina, Chile e Uruguai e comprovou a resistência do conjunto.
Falando nisso, superar desafios é o forte desta máquina de 37 anos. No painel algumas plaquinhas atestam seu espírito de aventura. “Com ele fiz um raid de Porto Alegre a Bariloche, incluindo retorno, e também participamos de um rali em Punta del Este”, enfatiza o orgulhoso proprietário.
Realmente a máxima de que carro antigo só combina com museu caiu por terra neste caso. Mais uma vez ficou comprovado que com cuidado, manutenção e gasolina nas veias os “velhinhos” encaram muitos quilômetros pela frente e registram uma enorme quilometragem de lembranças e alegrias pelo caminho.
Renato Bellote, 30, é jornalista automotivo, apaixonado por fotografia e mostra nesta garagem virtual um pouco desse mundo através das lentes de sua câmera. A placa preta - marca registrada - é utilizada desde fevereiro de 2007 para eternizar máquinas antigas e modernas. O autor tem textos publicados em 12 países de língua espanhola, foi colaborador do portal Webmotors e atualmente escreve para as revistas Driver e Auto Esporte. Textos e imagens protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Nº 9610/98).