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23 de mai de 2009

Ferrari Dino 246 GT

Ferrari Dino

Naquela manhã de sábado acordei com uma grande expectativa. Afinal, iria fotografar a primeira Ferrari do blog e, ainda por cima, a única equipada com motor V6 na história da marca. Incrível! A Dino, homenagem ao filho do comendador Enzo, não tem o logotipo da escuderia no capô. Porém, se tornou um verdadeiro ícone com o passar dos anos.



246 GT

Cockpit

V6

Tradição

Macchina

Perfil

Inspiração


VÍDEO



Para cada ensaio escolho um CD específico para servir de inspiração pelo caminho. Neste caso, deixei o mesmo da semana passada, com clássicos da música italiana. A primeira faixa começou com “Il Mondo”, uma canção que, curiosamente, sempre me lembrou Ferrari. Talvez pelos acordes e pelo ritmo que vai ganhando fôlego, justamente como o motor da macchina, uma sinfonia de válvulas e comandos, graves e agudos.

A história desse modelo nasceu da necessidade da empresa de homologar seus propulsores para disputar a temporada de Fórmula 2. O motor, por outro lado, foi desenvolvido bem antes, na década de 50, obra de Vittorio Jano e Alfredino Ferrari, que morreu logo após o desfecho do projeto.

Voltando a São Paulo, Mário Richard, o proprietário, já me esperava. Dentro da garagem, o clássico com as rodas Campagnolo. Belíssimo! Me acomodei confortavelmente e foi dada a partida. O ronco encorpado do bloco de 2,4 litros e 195 cv brutos tomou conta do ambiente. A cavalaria se apresentou com disposição de sobra. Saímos. O motor central fica bem atrás do motorista e transmite uma sensação de força e esportividade impressionante.

O namoro do dono com o carro foi longo. “Conheci esse auto em 1980 e seu proprietário Nataniel chegou a possuir dois exemplares, tendo migrado as melhores peças para este”, conta. “Em 2003 ele me ligou dizendo que estava saindo definitivamente do país e fizemos a negociação no fio do bigode. Primeiro a transferência, pagamento e só depois fui ver a máquina. Nota 9 para mecânica e 7,5 para o aspecto. Só que eu queria 9,5 para este quesito”, revela.

Com o carro em mãos seguiu-se uma restauração criteriosa, a cargo do saudoso Manolo. “Consegui uma tapeçaria nova original e silencioso inox. Na oficina os pára-lamas foram destacados, os parafusos foram bi-cromatizados, a carroceria repintada, todas as borrachas e buchas substituídas. A reforma levou apenas três meses”, ressalta. “O próprio Manolo dizia que fora do Brasil seria difícil encontrar outro exemplar nesse estado”, salienta.

Nem preciso dizer que o modelo é raro no país e, segundo o dono, das quarenta unidades que chegaram por aqui, hoje em dia devem rodar apenas dez ou doze, no máximo. Dando uma volta e vendo a reação das pessoas entendi realmente que a marca do cavalinho rampante é mais do que paixão, é religião. Isso explica a quantidade de tifosi espalhados pelo mundo atrás dos bólidos da Fórmula 1, gritando duas palavras em uma só voz: Forza Ferrari!
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