24/04/2009

Hofstetter Turbo

Asa de gaivota

Turbo

Futurista

Hofstetter

Potência

Logotipo

Fora-de-série


VÍDEO




É um pássaro? É um avião? Não, é um Hofstetter, o fora-de-série nacional diferente de tudo que o pessoal estava acostumado a ver nos anos 80. Visual arrojado, ronco grave e as portas...Bem, vamos conhecê-lo de pertinho, andar na máquina e falar um pouco desse esportivo que até hoje causa frisson por onde passa.

Me encontrei com o criador da obra-prima, Mário Richard Hofstetter, em um sábado. A tarde ficou pequena para tanta história e curiosidades acerca do carro. Algumas das passagens mais divertidas aconteceram logo após o desenvolvimento das primeiras unidades. “De 1975 a 1984 poucos sabiam ao certo o que era”, conta. “Muitos diziam ser uma Williams, outros algum modelo da Lotus e por aí vai”, relata com um largo sorriso.

O modelo – que teve como uma das inspirações o Alfa Romeo Carabo – foi apresentado oficialmente no salão do automóvel de 1984. Era equipado com motor VW turbo e tinha aproximadamente 140 cv brutos. O estande da empresa atraiu uma fila enorme de curiosos. Todos queriam ver e tocar no carro, já que naquela época as importações eram proibidas no país e vivíamos sem muitas novidades.

Quase vinte e três anos depois de abrir uma edição da revista Quatro Rodas, em 1986, e ficar boquiaberto com o teste da máquina (eu tinha sete anos na ocasião) pude fazer isso pessoalmente. O exemplar das fotos, ano 1991, (número 17 dentre 18 fabricados), é fotogênico sob qualquer ângulo e ainda mais impressionante ao vivo.

Abri a porta asa de gaivota – uma coisa incrível, mesmo hoje em dia – com facilidade e me acomodei no banco. Dá até pra se sentir como o Michael J. Fox – só que voltando ao passado. O painel digital desperta curiosidade e muita coisa inovadora já podia ser vista. A abertura das portas, por exemplo, do lado de fora e de dentro, é feita através de um pequeno botão.

Recentemente ele recebeu um upgrade mecânico. Palavras do dono: "O trabalho levou um ano. Começamos de um motor zero com injeção, que passou para 2100 cm³ de cilindrada, taxa 9:1, novo turbo com 4 regulagens eletrônicas de pressão, desenvolvendo cerca de 300 cv brutos. Tudo a cargo do Ricardo Malanga". Pude comprovar essas mudanças em uma pequena volta de alguns quarteirões. E como anda!

E mesmo em 2009 pelo menos cinco pessoas pararam para perguntar e admirar o modelo futurista por um bom tempo. Além disso, o vídeo recebeu dezesseis avaliações cinco estrelas em apenas um dia e excelentes críticas de alguns visitantes estrangeiros. Isso deixou a certeza de que o sonho – baseado em um ótimo projeto – não acabou. E o melhor: ele é made in Brazil.

18/04/2009

Dodge Challenger R/T 440 Six-Pack

Dodge Challenger RT

1971

Painel

440 V8

Big block

Bocal

Hurst


VÍDEO




No começo da década de 70 a diversão nos EUA tinha uma receita bem simples. Primeiro um motor com oito cilindros em V. Depois muitas polegadas cúbicas como recheio. Válvulas e comandos sob medida fazem parte da cobertura. A “cereja”, por fim é um carburador de corpo quádruplo. Voilá! Detroit criou um muscle car e a América toda saboreou até o último pedaço, ou melhor, até a última gota de gasolina no tanque.

Brincadeiras à parte, falar de “big blocks” – e fotografá-los – é uma tarefa realmente divertida. O leitor já pôde conferir no blog algumas máquinas quentes e agora terá a oportunidade de conhecer outro representante pra lá de nervoso: o Dodge Challenger R/T 1971. Afivele o cinto e embarque nessa.

Uma das características deste carro – assim como o exemplar 1970 de duas semanas atrás – é sua carroceria, conhecida popularmente como coke bottle. As linhas cheias de más intenções conquistaram fãs no mundo todo. O clássico ainda está equipado com belas rodas Cragar e esbanja estilo com as faixas pretas que correm pelas laterais.

Agora repare bem no capô. Esse era o motivo que fazia a molecada tremer nas bases e as garotas aceitarem um convite até o drive-in. Tremer, literalmente. O Challenger é equipado com um motor de 440 polegadas cúbicas. São 7,2 litros e furiosos 390 cv brutos. O charme se completa com o Six Pack, que consiste em três carburadores duplos debaixo do Shaker, essa grande peça preta que rasga o capô, prontos para injetar combustível, adrenalina e fazer a vida valer a pena. O opcional podia ser adquirido na época por aproximadamente US$ 97.

Mais do que desempenho a idéia principal era justamente chamar atenção. Imagine o efeito moral de acelerar o bólido no semáforo, enquanto se aguarda a luz verde. O Shaker balança – como o leitor confere no vídeo – e inspira respeito. É uma mensagem muito clara de poder.

Antes de terminar, deixo um agradecimento ao funcionário responsável pela manutenção da máquina, Paulo Teixeira, e ao seu xará Paulo, o mecânico que deixa o big block girando redondo. E aos leitores um recado: mais muscle cars estão chegando. Aguardem!

10/04/2009

Mercedes-Benz 280 C/CE (ensaio triplo)

Mercedes-Benz

280

C e CE



Trio

Estilo



1983, 1978 e 1978



Reflexo







Perfil


VÍDEO




Um é pouco. Dois é bom. Três é melhor ainda. Contrariando o ditado popular, muitas coisas podem se tornar interessantes em maior número. Esse foi o caso do ensaio dessa semana, que traz como destaque um trio raro de ser visto nas ruas e até mesmo nos encontros de carros antigos Brasil afora: os charmosos cupês 280 C e CE.

Antes de mais nada, alguns números. Vale lembrar que a importação foi proibida por quase dez anos desde meados da década de 70. Recebi uma consulta feita no próprio arquivo da Mercedes-Benz do Brasil e soube que no período de 1977 a 1984 chegaram ao país – principalmente através das representações diplomáticas – 24 unidades da versão C (a prateada nas fotos). Sobre as versões CE o número é ainda menor: apenas 20, sendo 15 delas equipada com câmbio automático. Portanto, estamos frente a frente com peças raríssimas.

Mas vamos aos detalhes. Convido o leitor a observar atentamente cada carro, acomodar-se no banco e ouvir o ronco silencioso característico da marca. O primeiro destaque vai para a preta ano 1983. Esse carro tem freios ABS, rádio Becker (com a clássica antena Hirschmann) e os lavadores de faróis. Some-se a isso 185 cv brutos e terá uma bela combinação de estilo e elegância.

A outra 280 CE 1978 se destaca pela cor marrom, inclusive do estofamento, em excepcional estado de conservação. O diferencial desse carro, segundo me contou o proprietário, é que ele foi apreendido pela Receita Federal e ficou parado por muitos anos até que fosse arrematado em um leilão. Há dois anos o colecionador adquiriu-o desse segundo dono. O cupê teve apenas que ser repintado para voltar à antiga forma.

Para fechar o trio a igualmente clássica 280 C prateada ano 1978. Este exemplar é o único equipado com carburador e tem 165 cv brutos. O exemplar foi adquirido há aproximadamente três anos e precisou apenas de pequenos serviços gerais, como a tapeçaria. Desse modo esbanja esportividade com um toque de sofisticação.

Confesso que a idéia de juntar dois ou três carros e o resultado final disso me agrada sobremaneira, além de abrir uma nova perspectiva fotográfica e de registro histórico. Aguardem novidades para breve, em dose dupla ou tripla.

04/04/2009

Dodge Challenger R/T

Dodge Challenger R/T

1970

Dash

383 V8

Bocal

Sigla mágica

Muscle

Rallye


VÍDEO




O filme “Corrida contra o destino” (Vanishing Point), de 1971, é um daqueles indispensáveis para todos os apreciadores de muscle cars. No longa, Kowalsky, “o último herói americano” (quem assistiu sabe o motivo) cruza os Estados Unidos para cumprir uma aposta audaciosa. Vale a pena assisti-lo e entender um pouco da filosofia de vida da época e a aparente falta de preocupação com o futuro.

No remake, de 1997, o ideal muda um pouco, mas o personagem principal – na verdade, um Dodge Challenger R/T – enfeitiça os espectadores da mesma forma. O ponto máximo da película acontece quando um xerife local decide usar a mesma “arma” para enfrentar o mocinho. Os fãs vão à loucura com a frase: “só um Mopar pode pegar outro Mopar”. Sacaram? Por isso ele é imperdível.

Voltando a São Paulo, o belíssimo exemplar na cor Hemi Orange também chama a atenção por onde passa e atrai olhares de todos os lados. O proprietário Maurício adquiriu a máquina em um leilão da Receita Federal em janeiro deste ano. A história o leitor acompanha a seguir.

“Ele tem uma história um pouco incomum, pois foi a leilão – por motivos que eu desconheço. O que acontece é que eu fiquei sabendo através de amigos e fui participar sem muita esperança”, conta. “Chegando lá ficamos só eu e meu irmão à espera do lote e, no final, deu tudo certo e acabei arrematando o carro que, para mim, era um sonho que consegui realizar”, enfatiza.

Pouca coisa precisou ser feita para deixá-lo 100%. “Apenas um polimento geral, troca das capas dos bancos e também do carpete”, revela. O motor de 383 pol³, com aproximadamente 330 cv emite um ronco quase indescritível. Some-se a ele o painel “rallye” e terá uma combinação perfeita (agora eu sei porque o Kowalsky do filme não tinha pressa em sair do carro).

Pra fechar, o Maurício, que possui mais dois Dodges, ainda me contou que o bólido fica coberto com uma capa de algodão. Na hora de sair, basta um pano úmido e pronto! É só acelerar e devorar o asfalto. E isso, prezado leitor, esse Challenger faz com gosto.