30/05/2009

Porsche 911

Porsche

911

Painel

Boxer

Tradição

1974

Clássico


VÍDEO




Após a emoção da semana passada com a clássica Ferrari Dino, voltamos com um mito alemão. Aliás, a Porsche é a marca que tem mais representantes aqui no blog. São ao todo treze exemplares entre 911, 356 e 914. Através dos ensaios é possível conhecer a trajetória da companhia e saber o motivo de seus modelos terem se tornado verdadeiros ícones sobre rodas.

Pois bem. Nessa semana o destaque vai para um belo 911 de 1974. Nesse ano o esportivo sofreu algumas alterações importantes. Uma delas – e que interessa a todos os apaixonados por performance – foi o aumento de cilindrada para 2,7 litros, despejando 150 cv brutos de potência. Outra característica que merece atenção foi a adoção da injeção eletrônica Bosch K-Jetronic, bem como uma mudança sutil – mas cheia de estilo – nos pára-choques.

A cor amarela não passa despercebida no trânsito de São Paulo. Ainda mais em uma terça-feira ensolarada. Nesse caso fui acompanhando o proprietário em outro carro e pude reparar como as linhas sedutoras do 911 interagem com o ambiente. O pessoal sempre dá uma espiadinha, ou vira a cabeça, para conferir “o carro diferente na rua”. O público feminino, nesse caso, também nota sua silhueta cheia de charme. Deveria ter tirado algumas fotos disso...

A geração pós-1974 se assemelha muito às versões da década seguinte e tem um quê de modernidade que não envelheceu jamais. São carros compactos e extremamente esportivos, além de serem muito bonitos (acho que esse é o adjetivo ideal). E olha que essas são apenas três das muitas razões que despertam o interesse e admiração dos aficionados até hoje.

E daqui a duas semanas o primeiro 930 Turbo chegará ao blog em um ensaio sensacional. Não perca por nada!

23/05/2009

Ferrari Dino 246 GT

Ferrari Dino

246 GT

Cockpit

V6

Tradição

Macchina

Perfil

Inspiração


VÍDEO




Naquela manhã de sábado acordei com uma grande expectativa. Afinal, iria fotografar a primeira Ferrari do blog e, ainda por cima, a única equipada com motor V6 na história da marca. Incrível! A Dino, homenagem ao filho do comendador Enzo, não tem o logotipo da escuderia no capô. Porém, se tornou um verdadeiro ícone com o passar dos anos.

Para cada ensaio escolho um CD específico para servir de inspiração pelo caminho. Neste caso, deixei o mesmo da semana passada, com clássicos da música italiana. A primeira faixa começou com “Il Mondo”, uma canção que, curiosamente, sempre me lembrou Ferrari. Talvez pelos acordes e pelo ritmo que vai ganhando fôlego, justamente como o motor da macchina, uma sinfonia de válvulas e comandos, graves e agudos.

A história desse modelo nasceu da necessidade da empresa de homologar seus propulsores para disputar a temporada de Fórmula 2. O motor, por outro lado, foi desenvolvido bem antes, na década de 50, obra de Vittorio Jano e Alfredino Ferrari, que morreu logo após o desfecho do projeto.

Voltando a São Paulo, Mário Richard, o proprietário, já me esperava. Dentro da garagem, o clássico com as rodas Campagnolo. Belíssimo! Me acomodei confortavelmente e foi dada a partida. O ronco encorpado do bloco de 2,4 litros e 195 cv brutos tomou conta do ambiente. A cavalaria se apresentou com disposição de sobra. Saímos. O motor central fica bem atrás do motorista e transmite uma sensação de força e esportividade impressionante.

O namoro do dono com o carro foi longo. “Conheci esse auto em 1980 e seu proprietário Nataniel chegou a possuir dois exemplares, tendo migrado as melhores peças para este”, conta. “Em 2003 ele me ligou dizendo que estava saindo definitivamente do país e fizemos a negociação no fio do bigode. Primeiro a transferência, pagamento e só depois fui ver a máquina. Nota 9 para mecânica e 7,5 para o aspecto. Só que eu queria 9,5 para este quesito”, revela.

Com o carro em mãos seguiu-se uma restauração criteriosa, a cargo do saudoso Manolo. “Consegui uma tapeçaria nova original e silencioso inox. Na oficina os pára-lamas foram destacados, os parafusos foram bi-cromatizados, a carroceria repintada, todas as borrachas e buchas substituídas. A reforma levou apenas três meses”, ressalta. “O próprio Manolo dizia que fora do Brasil seria difícil encontrar outro exemplar nesse estado”, salienta.

Nem preciso dizer que o modelo é raro no país e, segundo o dono, das quarenta unidades que chegaram por aqui, hoje em dia devem rodar apenas dez ou doze, no máximo. Dando uma volta e vendo a reação das pessoas entendi realmente que a marca do cavalinho rampante é mais do que paixão, é religião. Isso explica a quantidade de tifosi espalhados pelo mundo atrás dos bólidos da Fórmula 1, gritando duas palavras em uma só voz: Forza Ferrari!

16/05/2009

Alfa Romeo Spider 3.0 V6

Alfa Romeo

Spider

Cockpit

3.0 V6

Pininfarina

Detalhe

Macchina


VÍDEO




No dia 22 de maio de 1930 era inaugurado em Turim um estúdio de design que revolucionaria a indústria automobilística e daria aos carros uma dimensão de beleza nunca vista. A Pininfarina completará 79 anos na semana que vem, mas seus traços imortais não envelhecem jamais.

Um dos primeiros projetos da Alfa desenvolvidos por lá foi o Pescara, em 1935. Muitas décadas se passaram e a genialidade italiana está presente em outro mito, que também pode ser chamado – simplesmente – de arte em movimento. O Spider é uma daquelas máquinas que se harmonizam perfeitamente com o ambiente e agradam aos olhos e aos ouvidos.

O exemplar, ano 1996, exala esportividade. “Ele tem apenas 19.000 km”, salienta o dono. O motorista se acomoda com folga e pode apreciar o painel, baseado nos clássicos conversíveis da empresa. Ao girar a chave, o motor V6, de 3,0 litros e quase 200 cv brutos se apresenta. “A sonoridade do propulsor é simplesmente fantástica e entusiasmante”. Ah, essas palavras eu peguei emprestadas do proprietário.

Os motores da Alfa têm uma característica interessante. Em alta rotação eles parecem “urrar”. Exatamente, prezado leitor. É algo inebriante, tal como um vinho degustado com prazer. Os dados de desempenho? 0s 100km/h chegam em pouco mais de 7,0 segundos e a velocidade máxima está próxima dos 230km/h. A dirigibilidade também é exemplar, ajudada pela suspensão independente nas quatro rodas, com braços de alumínio.

Outra coisa interessante é a cor verde-bosco metálico. Poucos esportivos conseguem se destacar com essa tonalidade. Enfim, potência, beleza, performance e, além disso, a possibilidade de abaixar a capota e curtir uma bela manhã de sol escutando uma sinfonia única. De válvulas e cilindros, é claro. Quem disse que a vida não pode ser perfeita?

09/05/2009

Mustang GT

Mustang GT

1995

Painel

Aro 17

GT

V8


VÍDEO




Quinze anos já se passaram, mas 1994 foi especial para os fãs do Mustang. Há muito tempo eles esperavam que o pony car retornasse aos seus anos de ouro, com um estilo que marcou época. E a Ford atendeu ao pedido desses apaixonados, lançando uma nova geração do esportivo justamente em comemoração às três décadas de vida do mito.

Estilo mais agressivo, inspiração no passado e muita propaganda. Esses três fatores levaram o carro novamente ao caminho do sucesso. Antes do lançamento a empresa anunciou que havia modificado exatamente 1.330 itens em relação à geração anterior. Além disso, pela terceira vez consecutiva, o modelo foi escolhido como Pace Car das 500 milhas de Indianápolis. Não demorou muito para que as vendas decolassem com mais de 120 mil unidades deixando as concessionárias no primeiro ano.

O exemplar das fotos é um GT 1995, raro por trazer todos os opcionais disponíveis naquele ano, incluindo as rodas de 17 polegadas, toca-fitas e CD player no painel e o sistema de som Mach 460. Marco, o proprietário, conta essa história. “Ele foi adquirido em dezembro de 2006 do primeiro dono, através de um amigo que tem loja de carros. Na época tinha 21.100 km e hoje está com 24.500 km. Além da gasolina Podium até hoje só troquei o óleo / filtro do motor e refiz a carga de gás do ar condicionado”, diz.

O estado geral da máquina valeu até uma história curiosa. “Quando eu fui buscá-lo levei meu amigo Paulo. Chegando a sua casa ele comentou com a esposa Adriana (apaixonada por Mustangs) sobre a aquisição que havia feito. Alguns dias depois eles vieram ver o carro e quando tirei a capa ela soltou a seguinte frase em alto e bom som: puta que o pariu! Isso foi engraçado, visto que ela é uma pessoa super discreta e raramente fala um palavrão”, conta.

Para fechar o texto vale dizer que o Mustang sofreu outras reestilizações ao longo desses quinze anos, atraindo velhos e novos admiradores. Mas o espírito do cavalo de corrida na grade sempre permaneceu o mesmo e, como um verdadeiro puro-sangue, ele tem seu nome gravado junto aos melhores esportivos norte-americanos já fabricados.

02/05/2009

Dodge Charger R/T

Dodge Charger R/T

1973

Painel

318 V8



Detalhe

"Mopar or no car"


VÍDEO




“Vamos acabar com essa brincadeira de carro esporte com menos de 200 hp”. Essas palavras impressas no catálogo de propaganda do Dodge Charger R/T significavam muito mais do que uma chamada agressiva. Em 1973 a empresa queria mesmo é que o apaixonado por velocidade sentisse a força – e o status – do V8. Em outras palavras, eles sabiam das coisas naquela época.

O clássico da semana, na cor amarelo enxofre cítrico (isso mesmo, caro leitor), é unanimidade nas ruas. Bastou estacioná-lo em um quarteirão sossegado para que muitos curiosos aparecessem perguntando, elogiando, contando histórias de vida e tudo mais. Essa talvez seja uma das vertentes mais divertidas desse trabalho.

A história da aquisição é contada pelo Marco, o dono da fera. “A coisa aconteceu de maneira curiosa. Fui com um amigo de trabalho atrás de uma moto Harley-Davidson com side car a pedido do nosso chefe. Quando chegamos ao local, no bairro da Freguesia do Ó, vimos embaixo de uma cobertura o Dodjão”, conta. “É claro que largamos a moto e fomos ver o carro, que era do mesmo dono da Harley, um senhor que havia falecido há pouco tempo (ainda estavam fazendo inventário dos bens) e que tinha os dois veículos há muitos anos”, diz. E tem mais. ”De imediato criou-se à condição de que só levaríamos a moto se o Charger fosse junto e depois de muita conversa levamos os dois, sendo que o carro foi rodando”, complementa.

Após o primeiro contato, era hora da restauração. “O trabalho ficou sob inteira responsabilidade do restaurador e amigo Flávio Ebran, de Taubaté. Um experiente restaurador que já atua especificamente neste ramo há mais de 25 anos. A restauração durou 18 meses ( Nov/2003 a Abr/2005 )”, relembra Marco.

Mas a história não foi sempre assim. “Quando eu comprei a maior parte da minha família achou que eu estava louco, regredindo, comprando carro “velho”. Hoje todos curtem inclusive, em 2006, fomos para Lindóia eu, minha esposa, minha filha, acompanhados dos meus pais e meus sogros”, relembra.

Isso comprova mais uma vez que o carro antigo acaba sempre se tornando um fator de união familiar. Além disso, o feliz proprietário da máquina participa – e é da comissão organizadora – do Mopar Nationals, um evento que será realizado pelo sexto ano consecutivo e não deve nada ao similar norte-americano.

Nessa semana, quando a Pontiac disse adeus e a Chrysler pediu concordata (mesmo que temporariamente), esse ensaio com o Charger fica como minha homenagem à marca. Aliás, até saí da maternidade em um deles. Mas essa é uma outra história. Por ora, deixo eternizadas as palavras gravadas no coração dos apaixonados pela estrela de cinco pontas: Mopar or no car. Até mais!