29/08/2009

Chevrolet Woodie

Chevrolet

Woody

1951

Composição

Detalhe

Estilo

Caça-mulata

Escape

Manhã ensolarada na Califórnia. Ondas grandes. Uma bela garota. Três ingredientes perfeitos para o surgimento de uma geração de jovens surfistas com uma única preocupação: se divertir. Esse contexto do início da década de 60 era embalado pelas melodias sem compromisso dos Beach Boys, Jan and Dean, The Surfaris e os acordes geniais de Dick Dale, entre outros.

As letras falavam de sol, biquínis e máquinas quentes. Basta olhar o título de algumas canções: Little GTO, 409, Street machine, só para citar três delas. Mas outros objetos de desejo foram as woodies, simpáticas peruas nas quais uma parte da carroceria era feita de madeira. A clássica Chevrolet 1951 em destaque é uma delas.

A máquina do tempo pertence ao fotógrafo Giácomo Favretto, apaixonado pelo estilo fifties. Ela foi adquirida há mais de dez anos e, acreditem, nunca foi restaurada. “É bastante original, desde o motor seis cilindros, pneus e rádio”, salienta.

Quero chamar a atenção do leitor para alguns detalhes. Um deles é a presença do farolete com acionamento ao lado do volante, chamado de “caça-mulata”. Outro item é a simpática bonequinha no painel, que balança de acordo com o movimento. A prancha na janela traseira dá o toque final. Na tampa do porta-malas fiz uma composição com alguns acessórios de época para um belo dia na praia.

Mas no início o modelo tinha uma outra finalidade. “Parece que pertencia a uma escola de freiras em Guarulhos, como perua escolar”, conta Giácomo. Ainda bem que ela voltou à sua função principal: transportar sonhos e lembranças. E como dizia aquela velha canção de Dick Dale: Let`s Go Trippin`!

23/08/2009

BMW R60

BMW

R60

1966

Detalhe

Tradição



Estilo



Jóia rara. Desse modo podem ser definidos alguns veículos e motocicletas clássicas ao longo dos anos. Máquinas que se destacaram pelo estilo, desempenho ou importância histórica. É o caso da BMW R60, que teve uma produção total de pouco mais de 20 mil unidades e se converteu em um ícone da empresa.

A versão foi produzida ao longo de treze anos, se tornando um símbolo da marca alemã no mundo todo. Ela era equipada por um propulsor boxer refrigerado a ar, com dois cilindros, 594 cm³ de cilindrada e 30 cv brutos. A potência aliada ao baixo peso permitia uma velocidade máxima de 145 km/h. Importante destacar também a transmissão feita por eixo cardã.

Além de ser extremamente confiável, o modelo ficou famoso também pela aventura de Danny Liska, que partiu do Alasca e foi rodando com uma delas até a Terra do Fogo em 1960. A aventura se tornou um livro chamado “Two wheels to adventure”. Mais tarde ele se lançou em uma nova jornada com a amiga de duas rodas, atravessando a África de norte a sul.

Outra característica da R60 foi a grande quantidade de acessórios disponíveis. Assentos duplos mais largos ou individuais, pequenos bagageiros traseiros e side cars (como o exemplar desta matéria) transformaram-na verdadeiramente em um sucesso. Isso ajuda a explicar porque ela ocupa um lugar especial no coração de todo motociclista apaixonado por raridades.

15/08/2009

Puma GTB S2

Puma

GTB

Cockpit

4.1

Painel

Sigla

Weber


VÍDEO




Uma semana se passou e outra “fera” chegou ao blog. O puma – chamado cientificamente de felis concolor – é um grande felino que vive em algumas regiões montanhosas, desde o Canadá até a Patagônia. Predador solitário e de hábitos noturnos, está quase em extinção por aqui. Seu miado não tem a força do jaguar ou da pantera, mas consegue se impor no ambiente selvagem.

Arisco, esbelto e veloz. Foram justamente essas três características que caíram como uma luva no modelo GTO, apresentado pela Puma, no Salão do Automóvel de 1972. O frisson foi tanto em torno do carro, que até mesmo o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi conferir a novidade. A sigla – alusiva às competições – logo seria trocada por outra, que se tornaria imortal para os amantes da performance: GTB.

O clássico das fotos, representante da segunda geração, pertence ao colecionador Ricardo Gurgel há nove anos e foi adquirido em Mairiporã. Ele ainda guarda a chave reserva original e foi premiado como o melhor GTB S2 no encontro nacional da marca em 2007, realizado em Santa Catarina. Uma das dicas da conservação é o uso da gasolina aditivada e a outra é tirá-lo da “toca” pelo menos uma vez por semana para um passeio.

Após o ensaio tive o prazer de conduzir o mito. A posição de dirigir, ao contrário do que havia lido em uma revista especializada há vários anos, é excepcional, principalmente para quem tem menos de 1,70 m, como é o meu caso. O motor de seis “bocas” e 4,1 litros com uma preparação leve atinge os 190 cv brutos e é sinônimo de diversão.

Importante salientar o volante de boa pegada, bem como a alavanca de câmbio em ótima posição. Engatei a primeira e saímos. O ronco evidencia que o Puma é arisco. Uma acelerada de leve e o felino mostra a que veio. Reparo alguns olhares no retrovisor do carro que vai na frente. A passagem é liberada prontamente. Ele ganha espaço para esticar os músculos.

Dirigir o GTB é algo contagiante. Ele tem um quê de muscle car e desperta muitos olhares pela rua. Tração traseira, baixo peso e potência fazem uma equação sensacional. Reduzi para segunda e virei a esquina. Uma cutucada de leve no acelerador fez os pneus traseiros girarem. Satisfação. E um sorriso nos lábios.

Sem dúvida, o modelo marcou época por aqui. A combinação da leveza da fibra com a solidez mecânica se mostrou perfeita e mantém uma legião de fãs, espalhados pelos clubes do país. Pra terminar, fica o slogan de um dos catálogos da empresa, de 1974: “Puma: o privilégio autenticamente brasileiro”.

08/08/2009

Jaguar E-Type

Jaguar

E-Type

1973

V12

Poder

Potência

Classe

Estilo

O jaguar, também conhecido como onça-pintada, é o maior felino das Américas. Com um comprimento que pode chegar aos 2,5 metros e peso superior aos 100 kg, se caracteriza pela agilidade, agressividade e destreza quando parte em busca de sua caça. A presa pode atravessar um crânio em questão de segundos e a mordida tem uma força esmagadora, sendo o único carnívoro que ataca jacarés e as temidas sucuris.

O similar automotivo não fica atrás quando o assunto é desempenho. O E-Type chegou ao mercado em 1961 atraindo playboys e apaixonados pela esportividade em seu grau mais puro. Motor de seis cilindros, linhas fluidas e um estilo que marcou época e influenciou gerações. O longo capô e a traseira curta criaram um estilo inigualável em seu tempo e depois dele.

O modelo também pode ser visto em competições de carros clássicos mundo afora. Em 1964 uma versão denominada “Low Drag Coupe” foi projetada pelo engenheiro Malcom Sayer, se tornando item de coleção com o passar dos anos. Atualmente podemos encontrar empresas especializadas na preparação dos felinos. Na Inglaterra, por exemplo, a Classic Jaguar Racing, sediada no condado de East Sussex, envenena os bólidos para pista, track days, incluindo também a modificação completa para vistoria da FIA Historic.

A sensação de estar frente a frente com esportivos carismáticos como esse – conversível, ano 1973 – é algo realmente interessante. O clássico das fotos é um representante da terceira geração do mito. Uma das maiores características da máquina é o gigantesco motor V12, de 5,3 litros, com inacreditáveis 314 cv brutos, além de um ronco grave e estimulante. Mais ou menos como um caçador em busca de sua presa.

Repare também nas saídas traseiras de escapamento, com quatro “bocas” que parecem prontas para cuspir fogo. Ao mesmo tempo as rodas raiadas de cubo rápido dão um toque de elegância ao esportivo. Desse modo beleza e agressividade formam uma combinação que sempre despertou o fascínio das pessoas em relação ao Jaguar, tanto nas ruas quanto nas selvas tropicais. Até mais!

01/08/2009

Honda Gold Wing GL 1000

Honda

Gold Wing

1977

Clássica

1000 cm³

Diversão à vista!

Estilo



Nos anos 70 a molecada se reunia para jogar conversa fora e paquerar as garotas. Entre os assuntos da moda os esportivos nacionais se destacavam. De vez em quando aparecia algum Maverick GT ou Dodge Charger para fazer barulho e animar a noite. As motos que podiam encarar de frente os poderosos V8 eram os modelos “peso-pesado” com 500 ou 750 cm³ de cilindrada. A Honda ocupava um lugar de destaque nesse momento. Quando uma delas encostava por ali, a briga ficava feia.

Os fãs da vida em duas rodas suspiraram mesmo pra valer após a apresentação da Gold Wing GL 1000 no salão de motocicletas de Colônia, Alemanha, em 1974. Motor boxer de quatro cilindros, 999 cm³ de cilindrada, 78 cv brutos, câmbio de cinco marchas, quase 300 kg e um estilo muito peculiar fizeram com que se tornasse objeto de desejo. Uma das características mais interessantes era o sistema de freio, formado por dois discos na dianteira e um na traseira.

As revistas especializadas da época não economizaram elogios à nova versão. Uma delas salientou que Gold Wing era um excelente exemplo da engenharia japonesa, além de um novo estilo de design. Uma delas, inclusive, chegou a fazer um supercomparativo entre ela e oito concorrentes de peso, tais como Harley-Davidson, Moto Guzzi, BMW e Suzuki.

Mas a princípio as vendas da gigante não decolaram, com apenas 5 mil unidades comercializadas em 1975. Em 1977 a empresa fez algumas modificações baseadas na opinião dos consumidores. E deu certo. Neste ano, o mesmo do exemplar das fotos, o preço começava em módicos US$ 2.938 nos Estados Unidos.

Repare aí nos grandes mostradores redondos que marcam em milhas e km/h. A velocidade máxima, vale ressaltar, era próxima dos 200 km/h! Fico aqui pensando o quão emocionante era acelerar uma dessas sentindo a adrenalina nas veias o vento no rosto. Nostalgia pura!