26/09/2009

Fusca 2.3 (220 cv)

Fusca

2.3

Cockpit

220 CV

2300 cm³

Aro 17

Detalhe


VÍDEO




Imagine a seguinte situação. O sujeito está a bordo de um belo carro esporte acelerando pela estrada. De repente um Fusca cola na traseira. O motorista dá uma olhadinha no retrovisor – com um olhar de despedida – e pisa fundo. Mas o besouro chega ainda mais perto. A saída é dar passagem, com o ponteiro marcando a velocidade muito acima do limite. Quando o Volkswagen passa e vai embora, o desapontado condutor repara em um pequeno logotipo na tampa traseira: 2300.

Isso seria um sonho? Talvez, para a maior parte dos Fuscas, mas não para o destaque dessa semana. O modelo 1975 recebeu uma preparação pesada e agora tem 2300 cm³ de cilindrada e aproximadamente 220 cv brutos em seu motor boxer. Para o leitor ter uma idéia, na edição deste ano da "Subida Internacional de Montanha", no Pico do Jaraguá ele só ficou atrás – pasmem – de um Porsche 911 e um BMW M3!

O bólido na cor branco Lotus pertence a Marcelo Caiado, o terceiro dono, e possui uma trajetória surpreendente. “O carro tem absolutamente toda a sua história, desde o carnê de financiamento do Banco Finasa, de 1975, até o último documento, incluindo sua primeira retífica, aos 80 mil quilômetros. Hoje, com 95 mil, ainda tenho manual, chave reserva e estepe sem uso”, conta.

Aqui termina a originalidade. Após a compra, em 2005, a máquina passou a respirar potência. Como já foi dito, a preparação foi extensa e por esse motivo vou detalhá-la em tópicos, seguindo a descrição dada pelo proprietário. Vamos a eles:

1- Motor boxer (2300 cm³), carcaça de alumínio, cabeçotes feitos com válvulas 42 X 38, taxa (13:5), valvetrain completo em chromoly, molas duplas e comando Engle 313, par de Weber 44, engrenagem do comando reta, balanceiros Scat 1,25 invertidos, sistema de lubrificação com 6 litros (radiador e filtro externo), balanceado e aliviado;

2- Freios: disco ventilado nas 4 rodas (pinças/disco originais na frente e de Golf atrás);

3- Interior: bancos concha, alavanca Empi de engate rápido, painel e volante do Porsche 911, cintos de 3 pontos;

4- Suspensão: dianteira (regulável em altura, com amortecedores mais duros, quadro reposicionado mais cambagem e cáster). Traseira (molas de 1100 libras, também regulável em altura, amortecedores mais duros, barra estabilizadora de 18mm);

5- Câmbio: quarta marcha curta e blocante. Embreagem: platô 900 libras, disco lona;

O toque de esportividade externo foi garantido pela pintura dos pára-choques, piscas alemães e belos retrovisores rallye. Além disso, rodas Porsche de 17 polegadas com pneus Continental 205/50 fecham o pacote visual.

Algum cuidado especial com a usina de força? “Ele precisa ficar guardado (mais de 48 horas) com gasolina de aviação nos carburadores. Tentei de tudo: aditivos, gasolina podium, mas só a Avgas resolve. Assim, quando sei que vai ficar mais de dois dias parado, seco os carburadores desligando a bomba de combustível”, explica. “O câmbio também é frágil devido ao torque elevado do motor (26kgfm) e não aceita desaforo e nem descuido. Precisa ser educado com o carro. Se gritar com ele, te deixa a pé”, salienta Marcelo.

“O mais curioso desse carro é a reação das pessoas que ficam espantadas ao notar que ele muito rápido. Andando ele não passa a impressão de ser tão veloz quanto é na verdade. Assusta gente grande. Arranca na frente, por exemplo, do Turbo 3.6 do meu irmão, é inacreditável”, revela o dono. Depois disso tudo, só posso encerrar a matéria com uma expressão bem conhecida dos leitores: haja asfalto!

Gostaria de deixar um agradecimento especial ao Luciano do site VOLKSPORSCHE, sem o qual este ensaio não teria sido possível. Visitem a página e conheçam esse clube que, além de reunir máquinas selecionadas e cheias de estilo, ainda vem realizando belos eventos em São Paulo.

19/09/2009

Porsche 914

Porsche 914

1972

Painel

Mini

Clássico

Estilo

Originalidade


VÍDEO




Talvez uma das coisas mais divertidas de se fazer nos finais de semana seja tirar o carro antigo da garagem e sair por aí. Além de fazer bem para todo o conjunto mecânico, esse ritual (o qual já tive a oportunidade de descrever nessa crônica de 2006) é altamente recomendável para todas as idades.

O prazer que isso proporciona é tão interessante quanto notar a atenção que recebe das pessoas. Em uma cidade gigantesca como São Paulo, onde as películas escuras e os vidros blindados – tentam – preservar o bem-estar, o carro antigo provoca reações diversas, espontâneas, como o simples gesto de uma criança apontando para aquele objeto que segue pela rua.

A bordo do Porsche 914 amarelo das fotos essas reações se multiplicaram. O modelo tem um estilo muito peculiar e reparei até que um bebê de colo, além de gesticular, parecia querer pegá-lo nas mãos. Talvez tenha pensado que se tratasse de um brinquedo de pilha ou fricção.

O modelo surgiu de uma parceria entre a Volkswagen e a fábrica de Stuttgart em 1969. Dois lugares, teto removível (que o transformava em um charmoso targa), pouca altura do solo e motor central. A idéia de Porsche “mais acessível” não foi muito adiante, mas ele tem uma dirigibilidade fantástica e distribuição de peso elogiável. Em toda sua trajetória três opções do motor boxer de quatro cilindros estiveram disponíveis ao comprador e também o desejado bloco de seis cilindros (aqui).

Vale salientar ainda que este exemplar ano 1972 foi trazido oficialmente pela Dacon, tradicional revendedora paulistana que deixou como legado um vistoso prédio no coração dos Jardins e lugar garantido na memória de muita gente. Logo após o ensaio, aliás, passei por lá e fiquei imaginando esse amarelo na vitrine, despertando sonhos e suspiros de quem passava.

Volante de boa pegada, motor de 1,7 litro com 80 cv brutos e um estilo que não envelheceu com o tempo. Três características dessa máquina que provoca olhares, agrada crianças e será para sempre um belo brinquedo de gente grande.

12/09/2009

Yamaha RD 350

Yamaha RD 350

1974



Dois tempos

350

Detalhe

Freio


VÍDEO




O destaque dessa semana recebeu um apelido – no mínimo – inusitado: a “viúva negra”. Com baixo peso e uma cilindrada considerável exigia atenção redobrada e perícia do piloto, o que muitas vezes não acontecia. Isso por que ocorria uma explosão de potência a partir da faixa das 5000 rpm.

Aliás, a viúva negra é uma espécie de aranha encontrada em todo o continente americano. Pequena e com uma mancha vermelha, coincidentemente também se assemelha com a motocicleta no quesito tamanho. Seu veneno é forte e ela mata o parceiro após a cópula. Outro ponto em comum com a RD, já que esta última também podia ser mortal após breves momentos de pura adrenalina. As comparações, prezado leitor, acabam por aqui.

O modelo chegou ao mercado em 1973, com clara inspiração nas pistas e DNA de corrida. Equipada com um motor de dois cilindros, dois tempos, 347 cm³ de cilindrada e 39 cv brutos logo recebeu ótimos elogios da imprensa especializada. E algumas ressalvas também, em especial no que foi dito no primeiro parágrafo sobre a potência. Ela também traz o Torque Induction, um sistema que libera a “fúria” do motor em diferentes regimes de funcionamento.

Mas a maior característica dessa clássica japonesa é justamente o ronco emitido pelos escapamentos. O som agudo é marcante e a subida de giro inesquecível para quem ouve, assim como a cortina de fumaça deixada pelo motor de dois tempos. A RD avisava de longe quando estava chegando.

O exemplar das fotos foi destaque do programa Auto Esporte no mês de julho e está com o mesmo proprietário há muitos anos e em excepcional estado de conservação. Isso comprova que cuidado e habilidade na pilotagem conseguem domar a temida “viúva negra”.

05/09/2009

Camaro RS

Camaro RS

1968

Painel

327 V8

Yenko

Estilo

Pony car


VÍDEO




No ano de 1964 a Ford surpreendeu a América com o lançamento do Mustang. O novo conceito de pony car fez sucesso e caiu no gosto do público consumidor. Três anos mais tarde a Chevrolet deu a resposta à altura, apresentando o Camaro. Daí por diante a briga entre os dois dividiu o mercado e os corações de milhões de compradores.

E foi justamente o primeiro representante do modelo que chegou à Garagem nessa semana. Me encontrei com o dono da máquina, André Calderano, em um sábado ensolarado. O clássico Rallye Sport, ou simplesmente RS, ano 1968, certamente aguça os sentidos, em especial a visão e a audição, quando passa pela rua. Vamos conhecê-lo de perto.

Esse foi um caso típico de paixão à primeira vista. “Ele foi visto anos antes na antiga Jardineira Veículos. Mas na ocasião não pude comprá-lo”, conta. “Alguns anos depois meu pai me avisou sobre um Camaro que estava à venda no sambódromo. Quando fui vê-lo na casa do proprietário tive uma grande surpresa, já que era o mesmo carro”, revela. E não acaba por aí. “Ele pertencia a um americano que trazia peças de reposição dos EUA, mas não podia restaurá-lo. O melhor é que essa visita se passou em uma manhã de sábado, no mesmo dia do meu aniversário. A maior alegria foi voltar para casa com a máquina, guiando pela Fernão Dias e testando a excelente aquisição”, revela.

E a história continua, contada pelo próprio André. “Depois de aproximadamente dois anos meu pai e eu resolvemos restaurá-lo. Descobri que a cor estava errada e voltamos à tonalidade original (grotto blue). Tudo foi reformado, com exceção do motor, que está em estado invejável e nunca foi aberto”.

Neste ponto cabe um parágrafo especial. O bloco 327 V8 recebeu um carburador quadrijet da Holley e coletor de alumínio. O sistema de escapamento conta com abafadores SS40, desenvolvidos pelo próprio dono (saiba mais sobre eles aqui). A potência estimada é de 230 cv brutos. O câmbio powerglide tem apenas duas velocidades mas dá conta do recado.

As belas rodas vieram diretamente do Pontiac Firebird do mesmo ano. Dica de conservação? Com a palavra novamente o André: “O cuidado especial que tenho é usá-lo praticamente todos os finais de semana. Não há nada melhor para um antigo do que curti-lo em uma boa estrada!”.