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3 de jul de 2010

Gurgel Motomachine: pra quem não tem medo da falta de privacidade

Gurgel

“É a versão antiga do Smart?”. Essa pergunta já foi feita algumas vezes ao proprietário do pequeno modelo, Ricardo Gurgel, quando sai pra dar uma voltinha com o Motomachine. Passados dezoito anos de sua fabricação, ainda atrai olhares, gestos de surpresa e a curiosidade geral, especialmente das crianças, que sempre – acreditem – abanam a mão ao vê-lo.



Motomachine



Dois cilindros








VÍDEO



A primeira impressão é de que se trata de um automóvel simpático. Um bom adjetivo para descrever a combinação inusitada de carro e moto, fruto da imaginação genial do engenheiro João Augusto do Amaral Gurgel. Além disso, é equipado com o econômico motor de dois cilindros e 800 cm³ de cilindrada, capaz de percorrer mais de 25 quilômetros com um litro de gasolina, segundo divulgado na época.

Ao entrar, a sensação é de espaço. Não pelo tamanho do habitáculo, mas por causa das portas transparentes, que passam a idéia de liberdade. O painel pode ser totalmente ajustado. Quer um conversível? Simples, basta retirar o teto. Muito sol? Sem problema, apenas coloque a capota de lona e aprecie o passeio.

Através das portas e do escapamento com ronco diferenciado – justamente para dar a idéia de motocicleta – é possível observar o asfalto e também ser visto por quem está andando na calçada e nos outros carros. Algo no mínimo curioso em uma cidade como São Paulo, onde os motoristas estão acostumados a viver atrás de películas escuras.

“Ele foi adquirido em 2005, após ler um anúncio na internet e sou o terceiro dono”, revela. “A restauração total demorou cerca de oito meses, com procura de algumas peças e pesquisa das cores. O trabalho foi realizado na Super-Fibra. Dei preferência ao João, pois como ele trabalhou na Gurgel no desenvolvimento dos carros, tem grande conhecimento do modelo”, ressalta.

Aliás, a compra envolve uma história interessante. “Eu sempre via este carro estacionado em uma rua de grande movimento dos Jardins. Por duas vezes tentei comprá-lo e fui rudemente rechaçado pelo proprietário, com a alegação de que não havia placa de vende-se. E qual não foi minha surpresa ao ver no documento antigo o endereço do bairro?”, conta.

Voltando à restauração, surgiu outra idéia. “Originalmente era prata e decidimos pintar nas cores do modelo que foi para o Salão do Automóvel no seu lançamento, conhecido por "margarida", pois tinha uma flor estilizada no capô. Ainda possui o rádio e o estepe, ambos originais”, revela.

Ágil. Racional. Econômico. Versátil. Seguro. Confortável. Essas qualidades vinham estampadas no folheto de lançamento. Até podemos incluir mais uma: revolucionário. Talvez o país não estivesse preparado para esse conceito de futuro que seu criador previu. Qualidades que combinam perfeitamente com o lema da marca: “Gurgel: tecnologia inteligente”.
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