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1 de nov de 2010

Cinema automotivo – Corrida contra o destino


Se existe um filme que todo apaixonado por Mopar deve assistir é este. “Corrida contra o destino”, ou “Vanishing Point” (título original) é uma daquelas produções focadas quase que exclusivamente no automóvel. Asfalto, velocidade e burnouts de sobra.



1971


A produção original é de 1971 e mostra um ambiente típico da época, com incertezas e um clima ligeiramente psicodélico. Na verdade a idéia geral, muito bem expressa, é de inconformismo com a sociedade, guerra do Vietnã e outros problemas que assolavam a sociedade norte-americana no período. Barry Newman representa o personagem com perfeição.

Mas vamos voltar a atenção para o carro. O Dodge Challenger R/T, recém-lançado, foi a estrela principal do longa. Kowalski, um veterano de guerra e ex-policial, faz uma aposta, no mínimo, ousada: atravessar a América, de San Franciso ao Colorado, em apenas 15 horas. Em outras palavras, acelerando tudo que pudesse.

É aí que a ação começa pra valer. Logicamente que ele encontra a polícia, e alguns problemas, assim que começa a pisar fundo e não obedece a ordem de parada. A partir desse momento, ação do início ao fim. O Dodge salta, derrapa e segue por estradas secundárias cheias de poeira.

Uma das cenas mais interessantes é uma corrida pelo deserto. Um Jaguar XJE desafia o viajante solitário para um racha. E os dois seguem com velocidade e sem respeitar nem os limites e tampouco a lei.

No fim do filme fica a sensação de vazio. Mas essa era a idéia. De certo modo, um protesto contra a sociedade organizada e suas regras. Mas vale a pena assistir.


1997


A primeira vez que assisti ao filme foi em uma madrugada de janeiro, há 12 anos atrás. Não fazia idéia do que estava por vir, mas o Plymouth Superbird que aparecia logo após a abertura despertou minha atenção e resolvi ver do que se tratava. Muito tempo depois descobri que existia uma versão original.

Bom, nesse remake, estrelado por Viggo Mortensen, a tônica é outra. Kowalski é um veterano (do Iraque) e trabalha em uma oficina, entregando muscle cars para alguns clientes. Eis que surge a última encomenda: o Dodge Challenger branco, equipado com o mítico 426 Hemi.

“O último herói americano”, como ficaria conhecido da metade do filme pra frente, olha o carro e fica enfeitiçado. Nesse ponto essa versão é diferente da outra. O lado automotivo tem um peso grande na produção. O diretor foca a atenção no volante, na alavanca Hurst e no ronco do V8. Sensacional.

Já que uma aposta para atravessar o país não teria sentido em 1997, dessa vez a temática é um pouco mais real. A esposa de Kowalski está grávida e, repentinamente, vai para a emergência. O único problema é que ela está a milhares de quilômetros de distância. E o tempo corre contra ele.

Assim começa a ação. Após furar um bloqueio, já que os policiais não quiseram entender suas razões, parte em busca de seu objetivo. As cenas são excepcionais, com destaque para os detalhes do carro, tomadas feitas em ângulos diferentes e outras coisas.

Do meio para o final está a cena – talvez – mais marcante de toda a produção. Após inúmeras tentativas inúteis, o xerife incumbido de pegar o fugitivo apela para sua arma secreta: um Dodge Charger R/T 1968. Além disso, diz a frase singular: “só um Mopar consegue pegar outro Mopar”. Fantástico, não?

Mais perseguição, takes muito bem feitos e cheiro de borracha queimada (calma, não é sua televisão). A cena, com vários minutos de duração, merece ser vista várias e várias vezes. O final do longa é bem parecido com o primeiro, mas, ao contrário daquele, a idéia que fica é que o mocinho sobreviveu.

De qualquer modo, as duas versões são imperdíveis. Longa vida a Kowalski, o último herói americano!
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