30/01/2010

Alfa Romeo GTV

Alfa Romeo

GTV

1972

Cuore

Tradição

Esportividade




VÍDEO



Quantas coisas na vida nós fazemos com paixão? Coisas do tipo que devem ser feitas com gosto, vontade e que alegram a alma? Pense bem. Um antigo folheto do De Tomaso Pantera respondia à minha pergunta do começo do parágrafo. Mas a empresa não seria a única a utilizar esse artifício que move corpos e mentes em direção a um intento comum.

O que diferencia os carros italianos de qualquer outro, aliás, é exatamente esse ingrediente subjetivo, plantado desde a infância e que cresce com o passar dos anos. Os cientistas ainda não descobriram sua origem, mas sabem que faz os dias passarem mais rápido e pode ser ou não hereditário.

Já tive a oportunidade de andar e fotografar vários modelos da Alfa Romeo. A marca do quadrifólio tem um carisma em suas linhas e paixão – de novo ela - em suas formas. O belo exemplar ano 1972 pertence ao colecionador João Ademir Pinto há dez anos e se destaca pela originalidade e conservação impecável.

A história da aquisição merece ser contada. “Isso aconteceu em 2000. O proprietário anterior, um italiano autêntico, me disse que avistou esse carro dentro de uma loja, deu ré e avisou o filho para comprá-lo. Segundo ele, um carro desses não mereceria ficar daquela forma, na vitrine”, conta. Depois disso cuidou da macchina durante doze anos.

“Era negócio pra fechar. Mas tivemos que erguê-lo em toda a mecânica e sua aparência estava muito apagada”, salienta. “Foi efetuada uma pintura externa total e em seu interior mantida a originalidade: carpete, bancos, painel, laterais de portas. Total de um ano, em que tudo foi feito”, complementa.

Ao dar a partida o ronco fantástico tomou conta do ambiente. Aliás, duas coisas que toda Alfa tem em comum: o som dos cilindros em funcionamento e o aroma do estofamento. Você realmente reconhece um deles com isso. A mecânica – com carburadores Solex – recebeu um pequeno upgrade com a instalação da bomba elétrica, relé de partida e partida eletrônica.

Cuidados especiais? “Gasolina Podium, chuva nem pensar e, além disso, é impermeabilizado com lustra móveis, inclusive no cofre do motor, e com polímeros que ainda não temos no país”, enfatiza.

Antes de ir embora, as últimas palavras ditas pelo João sintetizam tudo aquilo que escrevi no começo do texto. “A família achava que estava comprando mais uma “dor de cabeça", mas o instinto é Alfa Romeo”. Até a próxima semana!

23/01/2010

BMW 2002 Targa

BMW 2002

Targa

Cockpit

Coração

Estilo

Classe

Estradeiro


VÍDEO




Carisma e esportividade. Com essas características singelas o simpático modelo da BMW conquistou milhares de aficionados mundo afora. Além disso, seu estilo peculiar e dirigibilidade excepcional transformaram-no em um clássico reverenciado por puristas e amantes da arte de dirigir.

A saga do cupê começou em 1968, dois anos após a celebração dos 50 anos da empresa. Agradou o público logo de cara, além da imprensa automotiva, que não poupou elogios ao desempenho da máquina. Muitos acreditam que o 2002 colocou definitivamente a BMW no mapa.

Mas peço que o leitor preste muita atenção nas fotos. O exemplar em destaque é raríssimo no mundo todo e geralmente só é visto em grandes feiras e encontros. O targa, feito pela fábrica da Baur carrocerias, em Stuttgart, se tornou um ícone de estilo e elegância. Andar em um deles é, na verdade, um grande privilégio.

Me encontrei com o dono da relíquia em uma manhã ensolarada de sábado. Com a capota abaixada – de um modo singular – percorremos as ruas de São Paulo em direção ao local das fotos. No caminho ele me contou que o clássico chegou às suas mãos há seis anos e foi cuidadosamente restaurado ao longo de dois anos.

Um dos destaques está no painel e chama a atenção. É o rádio original Blaupunkt. “Ele foi feito especialmente para o modelo”, salienta. Fora isso, impressiona a riqueza de detalhes e a suavidade na tocada, como já foi citado no começo do texto.

Um selo no pára-brisa despertou minha curiosidade. O “I Raid ao Cone Sul” foi percorrido pelo veterano sem apresentar um único defeito. “Só troquei a bomba de gasolina no Chile”, conta. A prova consistia em atravessar Argentina, Chile e Uruguai e comprovou a resistência do conjunto.

Falando nisso, superar desafios é o forte desta máquina de 37 anos. No painel algumas plaquinhas atestam seu espírito de aventura. “Com ele fiz um raid de Porto Alegre a Bariloche, incluindo retorno, e também participamos de um rali em Punta del Este”, enfatiza o orgulhoso proprietário.

Realmente a máxima de que carro antigo só combina com museu caiu por terra neste caso. Mais uma vez ficou comprovado que com cuidado, manutenção e gasolina nas veias os “velhinhos” encaram muitos quilômetros pela frente e registram uma enorme quilometragem de lembranças e alegrias pelo caminho.

21/01/2010

Test-drive: BMW M3

(Fotos: Divulgação)
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No último mês de dezembro, em meio ao clima de Natal, tive a oportunidade de dar uma volta no BMW E36 M3 1995. O bólido alemão - na versão norte-americana - tem muitos predicados, a confiabilidade da marca e reserva muitas emoções ao motorista. Vamos conhecê-lo de perto.

O exemplar na cor bright red me aguardava perto da saída. Apesar de ser um esportivo da década de 90 seu estilo é inconfundível e esbanja agressividade. Aliás, carros como esse não envelhecem e mantém um quê de exclusividade inconfundível. O conjunto ótico dianteiro é bem característico e as quatro lanternas acesas são de meter medo.

Observei o selo do BMW Car Club Brasil e já sabia que esse era um carro bem cuidado. Os bancos esportivos “vestem” na medida certa e o habitáculo dá uma idéia de conforto e comodidade. A posição de dirigir merece elogios, bem como a ergonomia, com comandos à mão e painel voltado para o motorista.

Girei a chave e o motor despertou com o ruído grave característico. Duas bombadas no acelerador e o ronco se fez presente. A máquina é equipada com um propulsor de seis cilindros em linha, 3,0 litros, 24 válvulas e 240 cv brutos. Os primeiros 100 km/h chegam em apenas 5,7 s. Para os puristas da marca, a versão M nunca deveria ter recebido o V8, como a versão atual (mas isso eu vou comprovar quando der uma voltinha no E92).

Saímos e a primeira providência é tomar cuidado com a calçada. O spoiler dianteiro raspa em qualquer saliência. Mas tudo bem. Andamos alguns quarteirões e pude notar a firmeza do conjunto. Nenhum barulho na suspensão e nem no painel ficaram evidentes. Claro que isso tudo depende de proprietários zelosos ao longo do tempo.

A Marginal Pinheiros estava vazia naquela manhã, mas era só parte do trajeto. Uma esticada de leve e o M3 mostrou a que veio. Mas sem exagero. Seguimos por uma rua mais tranqüila, com asfalto liso. Hora de voltar uma marcha e sentir um calafrio característico seguido de um coice nas costas. O ronco ficou mais alto e o ponteiro do combustível desceu alguns milímetros. Realmente a máquina tem pedigree.

Na volta trânsito mais pesado e pé mais leve. Foi bom para abrir o teto solar e curtir a paisagem. O M3, mesmo com quinze anos de estrada, é uma ótima pedida para quem busca um modelo que chama a atenção e tem uma esportividade latente. Logicamente é importante conferir se a manutenção está em dia.

Ah, esse exemplar estava à venda na época por R$ 49 mil. Quando voltei lá duas semanas depois, já tinha ido para um novo lar. Nesse caso, um bom negócio.

19/01/2010

Revista Driver (Edição nº14)

Para a edição deste mês, a primeira do ano, escrevi duas matérias.

Driver Experience (evento realizado no autódromo de Interlagos)

Edição nº14


Premiação da Driver Cup (Fazenda Alvorada)

Edição nº14 (Driver Experience)

16/01/2010

Jaguar Mark II

Jaguar

Mark II

Luxo

Esportividade



Detalhe

Tradição


VÍDEO



Responda rapidamente qual é a primeira coisa que você pensa ao ouvir a palavra Jaguar. Provavelmente não estarei errado se disser que foi sofisticação. Desde o começo um dos grandes diferenciais da empresa de Sir William Lyons foi a idéia de desenvolver máquinas capazes de transportar as pessoas com estilo e conforto.

O belíssimo MK 2 ano 1967 das fotos é um desses representantes que chegou essa semana ao blog, inaugurando um espaço específico para os felinos da marca (é só conferir do lado direito). “Ele foi adquirido em 2000, em Porto Alegre. O carro se encontrava com o dono anterior desde 1972 e totalmente original”, revela o proprietário. “A restauração mecânica tomou três anos e foi feita 90% em casa, com a ajuda do Valter, um mecânico de muita experiência e trabalho impecável”, diz. E tem mais. “Após a restauração mecânica, ele foi pintado e refeita a tapeçaria, o que tomou mais um ano. A pintura na RE Restaurações e a tapeçaria no Osny & Osny”, complementa.

Uma coisa que me chamou atenção à primeira vista foi o estado impecável da máquina. “Ele está bastante original, por exigência minha durante a restauração. Tudo, desde rádio, freios, motor, sistema elétrico com Dínamo e fiação coberta de pano é original. Inclusive saiu de fábrica já com os opcionais que têm hoje: pneus radiais, diferencial autoblocante e rodas raiadas cromadas, conforme certificado emitido pela JHT ( Jaguar Heritage Thrust)“, conta.

Além de muito bem tratado, o Jaguar é um dos últimos 27 produzidos pela empresa. Com a palavra novamente o dono: “Foram feitas 6.572 unidades MK2 com direção do lado esquerdo e motor 3.4 litros. Este carro foi importado pela Sandaco para o país (estranhamente foi primeiro vendido a um concessionário na Espanha, que então vendeu ao Brasil) e teve um primeiro período bastante curto no Rio de Janeiro. Após aproximadamente 6 meses, foi vendido a um amigo do proprietário (que também tinha Bugatti, Triumph Spitfire e MG TC) e utilizava o carro para viajar de Porto Alegre a Punta Del Leste”, revela.

“No final, deixou o carro parado em uma garagem e, em 1972, vendeu ao penúltimo dono. A negociação para compra durou um ano e meio. Além dos detalhes comerciais, concluí que o proprietário anterior, o Sr. Oscar, tinha tanto apreço pelo carro, que queria mesmo ter certeza que o novo dono fosse extremamente cuidadoso como ele era. Assim, finalmente na última vistoria para acertar a compra, ele viu que este cara cuidadoso era eu mesmo, se acalmou e fechou negócio na hora”, conta com a satisfação de uma boa lembrança.

Para fechar o texto vale dizer que a manutenção é feita com pontualidade britânica. Com os carburadores SU bem acertados, o clássico também nunca dá problema. E pra quem pensa que o veterano sai raramente da garagem, ledo engano. “Com ele já fiz várias viagens longas, inclusive ao Rio Grande do Sul, onde vencemos na categoria e na classificação geral o Rally Internacional”, complementa.

Isso é que é viver o antigomobilismo, literalmente falando. A rainha Elizabeth II certamente aplaudiria de pé esta verdadeira jóia rara da indústria britânica.

15/01/2010

Revista Auto Esporte

Começamos o ano em alta rotação. Nessa semana foi ao ar a matéria sobre o De Tomaso Pantera GTS, um bólido nervoso com 440 cv brutos.

De Tomaso Pantera (01/2010)

Para ler a matéria clique AQUI

09/01/2010

De Tomaso Pantera

De Tomaso

Pantera

Cockpit

550 cv

Detalhe

Estilo

Mito


VÍDEO



Itália. Lugar de bons vinhos, queijos, massas e lar de algumas macchinas de sangue quente. Será efeito do clima, da terra ou do vento que sopra dos Alpes que fez do país um verdadeiro celeiro de sonhos automotivos? Talvez seja a mistura desses ingredientes com uma pitada do calor do povo e sua paixão por velocidade.

Ficar frente a frente com um mito sempre provoca reações, tais como nervosismo e batidas aceleradas do coração. Já conhecia esse clássico há mais de um ano e, mesmo assim, quando a porta da garagem foi aberta, não foi possível ficar indiferente às suas linhas cheias de sedução. A idéia inicial era fazer somente outro vídeo, mas seu estilo único pediu novas imagens.

Esse é – basicamente – um carro de corrida pra andar na rua. As portas feitas de alumínio são levíssimas e os vidros foram substituídos para alívio de peso. O cockpit abriga duas pessoas, sendo o motorista na posição mais confortável. Atrás deles um outro passageiro que evidencia sua presença a cada acelerada: o coração de oito cilindros da máquina. O sistema de escapamento é semelhante ao usado pelo lendário Ford GT 40 e produz um ronco inconfundível.

Além de bonito, o Pantera das fotos detém o recorde brasileiro de velocidade de 1994. Neste evento ele fez uma média de 250, 6 km/h. Além do alívio de peso já citado, a fera é equipada por um motor 408 V8 de alumínio, com 6.654 cm³ de cilindrada, apenas 171 kg e – pasmem – 550 cv brutos. Com isso o quarto de milha é coberto em pouco mais de 13 segundos e a velocidade máxima estimada em 290 km/h. Haja asfalto!

Dando uma voltinha rápida percebe-se que seu comportamento no trânsito é bastante arisco. Isso é obra do comando de válvulas “bravo”, vindo diretamente da divisão esportiva da Ford. Por esses e outros motivos ele só sai da toca em ocasiões especiais.

Se por acaso tiver a sorte de se encontrar com essa máquina nervosa em algum semáforo por aí, admire a obra de arte com bastante atenção, pois ele vai sumir de vista assim que acender a luz verde.

02/01/2010

Ferrari F355 Berlinetta

Ferrari F355

Berlinetta

Cockpit

Cuore

Estilo

Tradição

Reflexo


VÍDEO




“Gentlemen, start your engines!”. No melhor estilo Le Mans iniciamos o ano de 2010. Para começar com a adrenalina em alta um mito italiano que provoca reações de paixão e euforia pelas ruas. Este talvez seja o modelo mais conhecido da marca e, assim como o 911 é sinônimo de Porsche, a F355 faz o mesmo papel para a Ferrari.

Mais do que potência, a empresa cria sonhos de consumo e símbolos de status há décadas. Mas para os apaixonados por carro andar em uma delas significa simplesmente uma experiência visceral, onde a tradição e os atributos subjetivos entram em perfeita sintonia. E claro, sem esquecer da sinfonia. Seria como assistir a uma apresentação do imortal maestro Herbert Von Karajan (aliás, ele também tinha gasolina nas veias e belas máquinas. Veja aqui).

O modelo chegou ao mercado em 1994 e agradou logo de cara. Nas versões Targa e Spider, além da Berlinetta, criou um novo conceito em esportividade. O logotipo explica a que veio: 3,5 litros e cinco válvulas por cilindro. O motor V8 despeja 380 cv brutos e produz um ronco inebriante. Os 100 km/h chegam em 4,6 segundos e a velocidade máxima em 295 km/h. Bravo!

A macchina que ilustra a matéria, em especial, tem algumas características interessantes. Uma delas é o sistema de escapamento original, algo difícil de se ver. Mário, o dono, me contou que o exemplar ano 1995 chegou às suas mãos com apenas dois mil quilômetros e, desde então, rodou pouco mais de dez mil quilômetros.

Para quem gosta de sentir a cavalaria sob controle e dirigir à moda antiga, o câmbio manual ainda é a melhor pedida. Particularmente sempre pensei que a alavanca de câmbio dentro da grelha fosse algo mítico, que remete aos velhos tempos do automobilismo. Aliás, os italianos sempre foram especialistas no assunto.

Arrivederci e um excelente ano a todos!